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Rio Lilás: corregedor dialoga com estudantes sobre o enfrentamento da violência contra mulheres
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 28/11/2025 16h58

Rio Lilás: corregedor dialoga com estudantes sobre o enfrentamento da violência contra mulheres

“Eu vivi uma situação de violência dentro de casa com meu ex-marido. Denunciei e ele foi preso. As mulheres têm que denunciar, não podem se intimidar, não podem ficar caladas”. Com 54 anos e três filhos, Odilene Torres conta que sofreu agressão por vários anos até procurar ajuda. A história dela faz parte das estatísticas de violência contra as mulheres no Brasil. Somente de janeiro a julho deste ano, o Painel de Dados do Ligue 180 registrou 86.025 denúncias desse tipo de violência.

Odilene é cuidadora de idosos aposentada e aluna das turmas da Educação para Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Rinaldo de Lamare que receberam o corregedor-geral da Justiça, desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, para uma conversa sobre violência doméstica e familiar contra as mulheres, nesta sexta-feira, 28 de outubro.

O corregedor provocou uma reflexão sobre os direitos de meninas e mulheres. Ele falou sobre o ciclo da violência, destacando que muitas vezes palavras ríspidas podem levar à agressão física e até ao feminicídio.

Cláudio Brandão alertou para a necessidade de levar o conhecimento ao maior número possível de pessoas, começando pelos estudantes. “Hoje nós temos institucionalizados os instrumentos de proteção às vítimas e de punição aos agressores, mas não basta institucionalizar. Somente melhoraremos a situação quando for cultural. Para que a ideia da não violência se torne cultural é preciso conversar e conscientizar o maior número de pessoas possível”, destacou.

“Os alunos são agentes multiplicadores. Com o acesso ao conhecimento, tenho certeza de que eles serão agentes para compartilhar com a comunidade e com qualquer tipo de pessoa. Quanto mais pessoas souberem como prevenir situações de violência, mais chance de termos êxito na prevenção, que é a coisa mais importante”, complementou a diretora da escola Angela Paula da Silva Barros.

Márcio Pereira Rodrigues, de 33 anos, cozinheiro e aluno do EJA, já se sente um agente multiplicador. Ele conta que, na infância, foi testemunha do sofrimento da mãe, que era agredida pelo marido: “Ele chegava do trabalho bêbado e batia nela. Minha mãe sofria muito e tinha medo”.

Depois da palestra do corregedor, Márcio disse que o encontro foi muito esclarecedor: “Eu gostei, porque a palestra esclareceu bastante coisa que eu não sabia como ameaça virtual e violência psicológica. Eu achava que somente bater que realmente era agressão, não sabia que existiam vários tipos de agressão”.

Para ele, os homens precisam evoluir: “Uma mulher merece ter respeito, poder ir e vir a hora que quiser. A mulher tem que ter a liberdade dela”.

Representantes da Secretaria de Políticas para Mulheres e Cuidados e do Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (NUPEVID/ TJRJ) participaram da ação.

Escola Municipal Rinaldo de Lamare

A escola, em São Conrado tem, hoje, 800 alunos da Educação Infantil, Educação Especial e do EJA. Suas dependências incluem parque infantil, pátio coberto, pátio descoberto, salas climatizadas, sala de leitura, biblioteca, laboratório de ciências, cozinha e refeitório. Conta com recursos tecnológicos, acesso à internet, laboratório de informática, material didático diversificado e equipamentos para prática esportiva e cultural.

Conexão TJRJ na Escola

O encontro Conexão TJRJ na Escola é parte do Programa Rio Lilás que leva magistrados e autoridades do sistema de Justiça às escolas para contribuírem na construção de uma cultura de paz.

Lançado no dia 18 de agosto deste ano, o programa Rio Lilás é uma iniciativa da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Desenvolvido nas escolas municipais da capital em parceria com as secretarias de Educação e Especial de Políticas para Mulheres e Cuidados, tem entre os objetivos, além da prevenção da violência de gênero, a prevenção do racismo e da discriminação.

 

NM/ASCOM

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