#DireitosDelas: juíza explica funcionamento do Grupo Reflexivo de Homens
Notícia publicada por Assessoria de Imprensa em 24/03/2021 22:08

“A nossa luta não é contra homens, é contra a violência doméstica. Quanto mais pessoas agregadas à causa, melhor”. A opinião, da juíza Ellen de Freitas Barbosa, do Juizado Adjunto de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Três Rios, foi destacada durante live realizada nessa quarta-feira (24/03), dentro da campanha #DireitosDelas. No bate-papo, a magistrada falou sobre o tema “Grupo Reflexivo de Homens”.  

A transmissão foi conduzida pela jornalista Sílvia Panoeiro, da Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Durante a conversa, a juíza disse que o trabalho realizado nos grupos é eficaz para prevenir, reduzir e coibir a violência contra a mulher.  

“Os grupos de homens têm por objetivo diminuir os altos índices de violência doméstica em nosso país, através da discussão e da construção do significado do que é ser homem, e da análise das condutas machistas que são aceitas em nossa sociedade patriarcal. Nesses grupos, nós fazemos reflexões sobre a conexão entre a masculinidade e a violência, de maneira que os homens possam se responsabilizar e repensar as atitudes contra as parceiras. No âmbito do Tribunal de Justiça do Rio, nós temos 22 juizados que trabalham com os grupos reflexivos”, informou Ellen de Freitas Barbosa.

A magistrada explicou que há dois casos em que a participação do agressor nos grupos reflexivos é obrigatória.   

“Em abril de 2020, houve uma alteração da Lei Maria da Penha incluindo, dentre as medidas protetivas, o comparecimento do agressor a programas de recuperação e reeducação ou acompanhamento psicossocial. Como medida protetiva, é uma das formas de participação nos grupos. A outra possibilidade, é ser um dos requisitos para a suspensão condicional da pena”, disse. 

Ao responder a dúvida de um internauta, a juíza esclareceu em quais casos não é recomendável a participação do homem agressor nos grupos.   

“Não é recomendável nos casos de crime doloso contra a vida, de abusos sexual, de uso abusivo de álcool e drogas. Além disso, a equipe multidisciplinar, ao perceber que o participante não se adequa ao grupo, pode se manifestar ao juiz pedindo sua exclusão”. 

Em sua experiência, a juíza contou que existe uma mudança comportamental do homem que frequenta os encontros, o que contribui para a redução da violência.   

“Muitos homens chegam revoltados, se sentindo prejudicados. Mas, no fim, eles percebem uma oportunidade de melhoria e de desenvolvimento pessoal. Em Três Rios, nós fazemos um acompanhamento dessas famílias e temos uma reincidência de apenas 8% desses homens. A participação no grupo reflexivo é uma oportunidade de mudança”, reforçou. 

Ao final da live, a magistrada fez uma reflexão sobre os altos índices de violência doméstica no país.  

“A violência contra a mulher é uma das mais profundas formas de violação dos direitos humanos. Toda mulher tem direito de viver sem violência”.  

#DireitosDelas   

Durante todo o mês de março, o instagram oficial do TJRJ realiza lives sobre violência doméstica e igualdade de gênero, dentro da campanha #DireitosDelas. A última convidada será a juíza Katerine Jatahy, que falará sobre o tema App Maria da Penha Virtual, no dia 25/03, 18h30.  

MG/FS