Caso Fernando Iggnácio: debates entre acusação e defesa marcam segundo dia do julgamento
O segundo dia do julgamento dos irmãos Pedro Emanuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro, acusados de matar o contraventor Fernando Iggnácio, teve início nesta sexta-feira, 17 de julho, no I Tribunal do Júri, com os debates da acusação e defesa.
O Ministério Público usou as duas horas e meia do tempo da acusação para mostrar aos jurados a dinâmica do crime, as provas e a ligação dos irmãos com o "capo" da organização criminosa, o bicheiro Rogério de Andrade, apontado como mandante do crime. Ele, que está preso num presídio federal, responde pelo crime em outro processo.
Disputa Sangrenta
A promotoria traçou uma linha do tempo do planejamento até a execução do crime de Fernando Iggnácio no heliponto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste da cidade, na tarde do dia 10 de novembro de 2020.
"Não se trata de um crime no calor da emoção. Estamos diante de um crime praticado por policiais militares, profissionais da arte de matar, e premeditado, calculado", disse a promotora Andrea Fava.
Segundo a acusação, todas as provas apresentadas são mais que suficientes para condenar os irmãos e ex-policiais militares que trabalhavam a serviço de "uma máfia sangrenta, numa disputa sangrenta", pelos negócios e herança do bicheiro Castor de Andrade. Ela lembrou que, meses antes da execução de Iggnácio, os seguranças da vítima já tinham sido mortos, num sinal claro de que o primeiro passo para o crime já tinha sido dado: fragilizar a defesa do contraventor que, de acordo com o MP, teve todos os seus passos monitorados e calculados para o crime dentro do heliponto, depois de chegar de uma viagem da Costa Verde, em Angra dos Reis.
Defesa questiona provas
No início da sua fala, o advogado dos réus Flávio Augusto Campos Fernandes contou como entrou no processo e a sua relação com os acusados. Ele relatou que conhece Sandro, pai de Pedro Emanuel e Otto Samuel, desde quando era estagiário em um escritório de advocacia. “Ele era estofador e fazia trabalhos no escritório em que atuava. Ao longo dos anos, ele seguiu fazendo trabalhos para mim e pediu para que eu defendesse seus filhos”, contou.
Durante as duas horas e trinta minutos, o defensor questionou as provas apresentadas pela Polícia Civil, entre elas a falta de exame papiloscópico em uma das armas encontradas. “A Delegacia de Homicídios deveria ter apurado o caso com seriedade, o que não foi feito neste processo. Não houve prova robusta o suficiente”, afirmou.
Processo nº 0309866-53.2020.8.19.0001
PF/ IA/ SF