Mary Del Priore reflete sobre heranças culturais e papéis de gênero em evento do Centro Cultural
A historiadora Mary Del Priore, ao lado do servidor do TJ Wanderlei Lemos, durante evento do CCPJ realizado nessa quarta, 25
“O ideal da mulher como ‘santa do lar’ e do homem moldado para o domínio integra um universo mental que define os papéis de gênero e do qual herdamos valores profundamente enraizados. Diante da dificuldade de superar um modelo de masculinidade tão violento, é preciso compreender que não basta apenas reconhecer a mulher como vítima, mas também entender o que acontece com os homens.” Essa foi uma das reflexões da historiadora Mary Del Priore, convidada do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) nesta quarta-feira, 25 de março, no Espaço Cultura na Justiça, para o encontro literário Do Direito à Literatura.
Vencedora do Prêmio Jabuti em 1998 e 2021, a autora se destacou com as obras História das Mulheres no Brasil e Sobreviventes e Guerreiras: uma breve história da mulher no Brasil de 1500 a 2000, que resgatam trajetórias femininas fundamentais para a História, muitas vezes invisibilizadas.
A conversa se tornou uma verdadeira aula, na qual a historiadora ressaltou o papel da educação e do letramento como agentes essenciais de transformação, tanto para as mulheres quanto para a formação de novas masculinidades.
“Educação transforma. Professores e professoras têm o papel de ajudar a desfazer, desde cedo, essa masculinidade tóxica e ultrapassada. Estamos numa sociedade em transformação, mas ainda carregamos valores e tradições com origens de 400 ou 500 anos. É uma história muito longa”, afirmou.
Entre seus principais títulos estão Uma breve História do Brasil, Meu nome é Francisca – uma breve história de Chica da Silva, Tarsila – uma vida doce-amarga, D. Maria I e a coleção Histórias da gente brasileira, em quatro volumes. A autora é referência em estudos sobre história das mulheres, da família e da infância, além de temas como vida privada, consumo e transformações da intimidade.
A mediação do encontro ficou a cargo do responsável pelo Serviço Educativo do CCPJ, Wanderlei Barreiro Lemos, que conduziu a entrevista com a historiadora e também articulou as perguntas do público, promovendo debates e a troca de conhecimento.
VS/IA
Fotos: Felipe Cavalcanti/TJRJ