Magistrados atuam em leitura da comédia “A Moringa Quebrada”
Comédia "A Moringa Quebrada" faz sua primeira apresentação no Auditório Desembargador Antonio Carlos Amorim
Quando desembargadores e outras autoridades do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) assumem o papel de intérpretes e deixam de lado a formalidade, o resultado é uma plateia cheia e muitas risadas. A leitura dramatizada da comédia A Moringa Quebrada foi realizada nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, no Auditório Desembargador Antonio Carlos Amorim, reunindo desembargadores, juízes e servidores do Tribunal.
A apresentação integra o programa teatral Justiça em Cena, promovido pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), e levou autoridades do Judiciário a um novo espaço de atuação. Participaram da leitura a magistrada responsável pelo CCPJ, desembargadora Cristina Tereza Gaulia; o diretor-geral da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), desembargador Claudio Dell’Orto, no papel do Juiz Adão; além dos desembargadores Renato Lima Charnaux Sertã e Marcia Alvarenga. Completaram o elenco a juíza titular do II Tribunal do Júri, Elizabeth Louro; o juiz da Terceira Turma Recursal, Ricardo de Andrade Oliveira; e o secretário-geral da Emerj, Francisco Budal.
O espetáculo integra o programa teatral Justiça em Cena, promovido pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ)
Na peça, a desembargadora Cristina Tereza Gaulia interpretou Cândida Bravin, a dona da moringa. A magistrada destacou que o dia da estreia costuma deixar todos muito nervosos, sentimento semelhante ao vivido na véspera de uma audiência ou de uma sessão de julgamento. “O teatro é o momento da cultura em que a graça e o drama sobem ao palco. É quando você demonstra, por meio dos personagens, as suas dores, as suas alegrias e o humor. Na preparação, você compartilha uma série de fragilidades, sai daquele papel de magistrado, de servidor da Justiça, e passa a obedecer ao diretor de teatro. Essa desconstrução da formalidade faz um bem emocional, físico e mental enorme”, afirmou.
A juíza Elizabeth Louro, que deu vida à personagem Isabella Bravin, ressaltou que participar de produções como essa proporciona entretenimento e fortalece a união entre os colegas em cena.
“A peça mexe com termos jurídicos, faz uma paródia e humaniza muito os juízes e magistrados. Os personagens são humanos, sujeitos a falhas, tudo isso com muito bom humor e leveza”, concluiu.
A peça
O evento trouxe ao TJRJ uma releitura de um texto alemão do século XIX, escrito por Heinrich von Kleist em 1806 e encenado pela primeira vez em 1808. A comédia, com adaptação e direção do diretor de Programação do CCPJ, Ricardo Leite Lopes, apresentou ao público uma versão contemporânea da obra clássica.
O texto original se passa em uma pequena aldeia holandesa e gira em torno do julgamento de um caso aparentemente banal: descobrir quem quebrou a moringa de barro da jovem Bella. A peça expõe, com humor afiado, temas como corrupção, abuso de autoridade e hipocrisia institucional. Na nova versão, a história viaja para o interior do Brasil, e elementos do texto original ganham traços de brasilidade.
Desembargadores, juízes e servidores assumem o papel de intrépretes na leitura dramatizada da comédia
VS/ SF
Fotos: Rafael Oliveira/ TJRJ