Centro Cultural promove apresentações do espetáculo A Descoberta das Américas
O ator Júlio Adrião agradece ao público após apresentação do monólogo "A Descoberta das Américas"
Com passagens por todos os estados brasileiros, diferentes países e somando mais de 700 apresentações, o monólogo A Descoberta das Américas consolida uma trajetória de destaque no teatro. Considerado um dos maiores sucessos da primeira década do século XXI, o espetáculo chegou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A peça, com 20 anos de trajetória, estreou na Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, nesta terça-feira, 13 de janeiro, com casa cheia.
A história acompanha o percurso de um homem que embarca em uma das caravelas de Cristóvão Colombo para fugir da Inquisição na Itália. O espetáculo integra a programação do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), por meio do projeto Justiça em Cena.
Sob a direção de Alessandra Vanucci, o ator Julio Adrião dá vida a Johan, protagonista que precisa sobreviver para narrar a própria história. Sozinho em cena, o ator assume também a criação de todos os sons e efeitos que dão forma aos acontecimentos. A encenação se constrói a partir de um código próprio de gestos, mímicas e sonoridades, elaborado pelo intérprete, que conduz a narrativa e estabelece a dinâmica das interações ao longo do espetáculo.
A montagem combina simplicidade e sofisticação ao utilizar apenas os recursos cênicos indispensáveis. Sem cenário e com figurino e iluminação reduzidos ao essencial, a interpretação é marcada por um registro enérgico e dinâmico, que estabelece uma comunicação direta e próxima com o público.
Por sua atuação na peça, Julio Adrião recebeu o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2005 e ressaltou o caráter singular da montagem, além de destacar o quanto o espetáculo depende da atuação e da presença do intérprete.
“A continuidade também se explica pela forma como ele é feito. Trata-se de uma encenação simples, embora sofisticada: um ator contando uma história, o teatro em sua essência mais primordial. O espetáculo depende inteiramente dos recursos do ator. Se fosse outro intérprete, seria outro espetáculo. A proposta da peça é marcada pelo uso de onomatopeias, palavras inventadas e mímica,” refletiu.
Ator Júlio Adrião
Julio destacou a capacidade do monólogo de dialogar com questões contemporâneas. “Ao longo do tempo, diferentes temas foram se intensificando, o que manteve o espetáculo em evidência. Mesmo com as mudanças do contexto político e social, a obra continuou sendo solicitada, preservando sua atualidade”, afirmou.
Mais apresentações
O espetáculo volta à Sala Multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro nos dias 14 e 21 de janeiro, às 18h30.
VS/IA
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ