Em ato pelo fim do feminicídio, Cristo Redentor se iluminou na cor laranja
Autoridades do Judiciário se reúnem aos pés do Cristo Redentor no 2º Ato da Campanha "Judiciário pelo Fim do Feminicídio"
No alto do Corcovado, os braços abertos do Cristo Redentor ganharam, na segunda-feira, 3 de agosto, uma nova cor: o laranja, símbolo mundial de alerta contra a violência às mulheres. O gesto marcou o 2º Ato da Campanha "Judiciário pelo Fim do Feminicídio", em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha — enquanto, no Rio de Janeiro, 7.383 processos envolvendo feminicídio, consumado ou tentado, seguem em tramitação entre janeiro e 28 de julho de 2026.
A iniciativa é promovida pela Comissão Executiva do XVIII Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid) e pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), do TJRJ, em conjunto com o Santuário Cristo Redentor e o Consórcio Cristo Sustentável. O primeiro ato da mobilização foi realizado em 13 de novembro de 2025, em São Luís do Maranhão, em parceria com o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).
O evento reuniu autoridades do Judiciário para reforçar o combate ao feminicídio. A campanha divulgou, em linguagem simples, fatores preditivos para o crime, com o objetivo de conscientizar a população sobre os sinais que podem anteceder essa ação violenta. O encontro também marcou a assinatura do Termo de Parceria entre o Fonavid e a Obra Social Leste Um – O Sol, que integra o Consórcio Cristo Sustentável.
A coordenadora da Coem, desembargadora Adriana Ramos de Mello, ressaltou os 20 anos da Lei Maria da Penha. De acordo com a magistrada, a lei é um marco decisivo na construção de uma sociedade mais justa, igualitária, comprometida com a proteção dos direitos fundamentais das meninas e mulheres.
"A Lei Maria da Penha representa um divisor de águas na vida de todas nós e sobretudo das meninas e mulheres do nosso Brasil. Ela nasce realmente da coragem dessa mulher que se recusou a aceitar a violência sofrida. A lei representa o resultado de uma longa trajetória das mulheres brasileiras", afirmou.
Coordenadora da Coem, desembargadora Adriana Ramos de Mello, durante evento nesta segunda-feira, 3 de agosto
A presidente do Fonavid e coordenadora de Projetos Especiais da Coem, Camila Rocha Guerin, abriu a bandeira do Fórum, aos pés do Cristo, como símbolo do evento. A juíza refletiu sobre como a parceria dentro do Fonavid tem o intuito de facilitar o trabalho e, assim, gerar um mundo menos violento para as mulheres.
"O maior prazer de estar à frente do Fonavid é perceber que a nossa revolução é a nossa união. Estamos juntos todos os dias nessa luta de enfrentamento à violência de mulheres, de meninas, de crianças, por um mundo com mais paz."
A vice coordenadora da Coem, Katerine Jatahy, alertou que as mulheres negras seguem entre as principais vítimas do feminicídio, com crescimento entre mulheres indígenas, quilombolas e ribeirinhas, além dos elevados índices de violência contra mulheres trans. A magistrada refletiu ainda que é necessário compreender a violência em toda a sua complexidade e considerar as diferentes realidades do Brasil.
"O feminicídio não acontece de repente. Ele dá sinais. Esses sinais aparecem quando o agressor controla a vida da mulher, afasta da família, dos amigos, impede que trabalhe ou estude, controla o seu dinheiro e os seus documentos, agride, ameaça, persegue, humilha, descumpre medidas protetivas", completou.
A juíza auxiliar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Suzana Massako e a presidente do Colégio de Coordenadorias da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargadora Vanja Fontenele, destacaram a união entre as instituições como forma efetiva de diminuir os números alarmantes de feminicídio no país.
A programação contou com um momento de oração, conduzido pela irmã Ana Maria.
Cristo Redentor foi iluminado de laranja, cor símbolo mundial de alerta contra a violência às mulheres
A cor
O laranja é o símbolo internacional da conscientização pelo fim da violência contra mulheres e meninas.
VS/IA
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ