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Debate sobre feminismo e transformação social encerra ciclo de projeto de empoderamento
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 17/07/2026 16h29

Palestrante Patrícia Goes, advogada e especialista em Violência de Gênero e Criminologia Crítica, enfatizou que o feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, a exploração sexista e a opressão

O terceiro e último encontro do ciclo de letramento de gênero do projeto "60 Minutos de Empoderamento", da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas (Vepema) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), foi realizado nesta sexta-feira, 17 de julho, com uma reflexão sobre a obra “O Feminismo é Para Todo Mundo: políticas arrebatadoras”, da autora americana bell hooks. O projeto da Vepema busca, por meio da literatura, criar um espaço de escuta, reflexão e reconhecimento para mulheres em cumprimento de penas restritivas. 

Durante o encontro, realizado no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves, no Fórum Central, a palestrante Patrícia Goes, advogada e especialista em Violência de Gênero e Criminologia Crítica, enfatizou que o feminismo, na visão de hooks (pseudônimo de Gloria Jean Watkins), não é uma luta "contra os homens", mas, sim, um movimento para acabar com o sexismo, a exploração sexista e a opressão. Ela destacou que a opressão de gênero também atinge os homens, incentivando-os a adotar uma masculinidade patriarcal que os torna psicologicamente dependentes de privilégios e emocionalmente restritos. 

Goes explicou que hooks preferia o termo "violência patriarcal" em vez de "violência doméstica", pois o segundo termo foi historicamente usado para privatizar e minimizar agressões contra mulheres e crianças. Ela destacou que a violência é frequentemente ensinada como ferramenta de controle social nas famílias, e que a verdadeira transformação exige um estilo parental não violento. 

O debate também tratou da interseccionalidade no feminismo, destacando as diferentes experiências de mulheres negras e brancas. Ao final, foi apresentado o conceito de "política do amor", de bell hooks, baseado no cuidado e no respeito mútuo como instrumentos de transformação social. 

“A bell hooks argumenta que não adianta recorrer à violência para corrigir comportamentos. Podemos considerar determinadas atitudes profundamente erradas, mas as pessoas precisam compreender por que elas são erradas. Agredir alguém não é a solução”, completou Goes. 

VM/ MG

Fotos: Kaíque Galiza / TJRJ