Justiça determina prisão de envolvidos em esquema de desvio de dinheiro público do Instituto Rio Metrópole
Onze pessoas foram denunciadas em um esquema de desvio de recursos públicos do Instituto Rio Metrópole (IRM). A denúncia foi recebida pelo juízo da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, que determinou a prisão preventiva de seis dos envolvidos, entre eles, Davi Perini Vermelho, o "Didê", ex-presidente da Câmara de São João de Meriti e atual presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), que está preso. Ele liderava o núcleo de servidores investigado, autorizando contratações, firmando contratos e controlando pagamentos.
Os mandados de prisão também foram cumpridos contra Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil, que atuava como ordenador de despesas e exercia o controle de fato do grupo RioForte, responsável pela escolta armada do dinheiro; Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado então à frente da Procuradoria-Geral do IRM, acusado de emitir os pareceres que deram cobertura jurídica às contratações e ao reajuste irregular do contrato; Caroline Soares Barros, que acumulava as funções de fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO – entidade de fachada por onde os recursos passavam antes de serem sacados em espécie; Amanda Íthala Santos da Paschoa, que a sucedeu na fiscalização e atestou a execução dos contratos, respaldando os pagamentos; e Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação, apontado como articulador do direcionamento das licitações em favor das contratadas.
Os demais réus são: Leilson de Souza Nepomuceno, Gerson Luís de Araújo Rodrigues, Hélio Augusto Machado Pessôa, Roberto Accioly Peotta e Roberto Peotta. Segundo a denúncia, integravam a organização criminosa na condição de particulares que davam suporte à engrenagem do esquema: Hélio e Gerson, representantes da Engeconsult; e Roberto Accioly Peotta e Roberto Peotta, da R. Peotta, empresas contratadas pelo IRM que repassavam os recursos públicos à entidade de fachada; além de Leilson de Souza Nepomuceno, à frente da RioForte, incumbida da escolta armada do numerário sacado em espécie.
O juiz Marcello Rubioli determinou, contra esses acusados, a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, entre elas, o monitoramento eletrônico, o comparecimento periódico em juízo e a proibição de se ausentarem do País.
O grupo foi acusado pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e contratações e lavagem de dinheiro, por meio de contratos ilegais firmados pelo IRM com as empresas Engeconsult Consultores Técnicos Ltda e R. Peotta Engenharia e Consultoria Ltda. Segundo a denúncia, o esquema teve início com a nomeação em 2022 de Davi Vermelho, o “Didiê”, para a presidência do IRM. Já a investigação sobre o esquema partiu com a prisão, em Teresópolis, da presidente do Brazilian Institute of Organics - Instituto Bio, Caroline Soares Barros. Ela foi surpreendida pela polícia com a posse de R$ 500 mil, que tinha sacado em um banco, e transportava sob escolta armada fornecida pela empresa RioForte.
Conforme as investigações relatadas na denúncia, a Engeconsult recebeu do IRM R$ 58,3 milhões em dois contratos. Já a R. Peotta Engenharia recebeu R$ 25,1 milhões em um contrato e três aditivos. O prejuízo ao erário foi estimado em até R$ 86,28 milhões.
Afastamento
O juiz Marcello Rubioli determinou também o afastamento das funções públicas dos acusados Davi Perini Vermelho, Maurício Silva Knoploch dos Santos, Franquis Dias Nepomuceno, Marcelo Lopes da Silva e Amanda Íthala Santos da Paschoa.
Na decisão, o magistrado também determinou que o governador do Rio de Janeiro fosse comunicado da prisão e, consequentemente, do afastamento dos servidores do IRM. A comunicação sobre a decisão deverá ser estendida à Controladoria-geral do Estado e ao Tribunal de Contas do Estado.
Processo: 064525-75.2026.8.19.0001
PC/IA