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CCPJ discute os desafios enfrentados pelas mulheres por cargos decisórios e de liderança
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 19/06/2026 16h22

A imagem registra uma palestra ou mesa de debate realizada no Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (CCPJ-RJ). O evento acontece em uma sala de auditório, com o público acomodado em cadeiras voltadas para os palestrantes. Ao centro, uma mulher sentada segura um microfone e fala ao público, enquanto faz um gesto com uma das mãos. Ao seu lado, um homem de terno acompanha a apresentação. À esquerda, outra participante também está sentada, compondo a mesa de debate. Ao fundo, uma tela de projeção exibe uma citação sobre a presença e a influência das mulheres em espaços de poder. O ambiente é decorado com plantas ornamentais iluminadas por luzes coloridas, criando um cenário acolhedor para a discussão. Um banner do CCPJ-RJ está posicionado à esquerda da tela. Na plateia, homens e mulheres de diferentes idades acompanham atentamente a apresentação.

                                             Juíza Vanessa Mateus e desembargador Wagner Cinelli debatem participação feminina no Judiciário

Da invisibilidade histórica aos obstáculos que ainda persistem. O encontro "Mulheres Ocupando Espaços de Poder", nesta quinta-feira, 18 de junho, no Espaço Cultura na Justiça, relembrou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres ao longo da história e debateu os desafios atuais na ocupação de espaços decisórios do sistema de Justiça.

O debate reuniu a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), juíza Vanessa Mateus, e o presidente do Comitê de Promoção de Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação no 1º Grau de Jurisdição (Cogen – 1º Grau), desembargador Wagner Cinelli, em iniciativa do Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa (OPFMR), do Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ).

Mediando o encontro, o desembargador Cinelli abordou como a invisibilidade feminina foi construída historicamente e como a paridade ainda é uma realidade distante em cargos de liderança.

"A gente também precisa dos homens juntos, porque é uma luta de todas as pessoas. A mulher sempre esteve presente o tempo inteiro, mas o navegador era o homem, o sacerdote era o homem. Essa história da mulher inferior durou por séculos, milênios."

A juíza Vanessa Mateus, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), destacou que ocupar espaços de poder não é apenas uma questão de justiça para as mulheres, mas um benefício social e institucional.

                                                  A presidente da AMB destacou as desigualdades históricas vividas pelas mulheres

"Essa não é uma pauta só feminina, mas uma pauta civilizatória. A gente só vai evoluir de verdade quando conversar com homens, e quando toda a sociedade estiver debatendo, lado a lado", completou.

Por fim, ressaltou as dificuldades históricas vividas pelas mulheres. A juíza, primeira mulher a presidir a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), refletiu e fez uma metáfora sobre o solo pegajoso que muitas mulheres enfrentam até chegar às altas instâncias da carreira.

"A gente tinha um teto de vidro que impedia que você acessasse esses espaços de poder. Hoje, a gente não tem mais nenhum espaço em que o processo seja proibido, mas a gente tem um solo pegajoso. É como se estivéssemos em uma disputa e enfrentássemos obstáculos muito mais difíceis de ultrapassar.”

A 2ª vice-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargadora Maria Angélica G. Guerra Guedes, esteve na plateia. A magistrada reforçou a reflexão sobre o papel da mulher, principalmente no Judiciário, e deixou um recado: "Confiem nas mulheres. Os resultados aparecem".

VS/ SF
 
Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ