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Direito Digital marca encerramento de seminário sobre o novo Código Civil
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 21/03/2026 10h47

A imagem mostra um auditório de pequeno porte durante um evento institucional. Em primeiro plano, há pessoas sentadas em cadeiras acolchoadas pretas com detalhes em vermelho, de costas para a câmera, acompanhando atentamente a apresentação. Uma mulher, à esquerda, utiliza o celular, enquanto outras pessoas mantêm o olhar voltado para a frente. Na parte frontal da sala, três homens estão sentados atrás de uma mesa, participando de um painel de debate. Um deles fala ao microfone e gesticula com as mãos, indicando que está conduzindo ou respondendo a uma questão. Sobre a mesa, há copos de água, microfones e placas de identificação. Atrás dos palestrantes, há bandeiras — incluindo a do Brasil — e uma grande janela que permite a entrada de luz natural. À esquerda, um telão exibe a imagem ampliada de um dos participantes falando ao microfone, reforçando o caráter formal e organizado do evento.

                              Procuradoria-Geral do Município do Rio de Janeiro recebe segundo dia de seminário sobre o novo Código Civil 

Depois de dois dias de intensos debates, a 5ª edição do Congresso Anual da Associação Luso-Alemã de Juristas (DLJV) chegou ao fim nesta sexta-feira, dia 20 de março. O congresso, realizado pela primeira vez no Rio de Janeiro, reuniu magistrados, servidores, advogados, estagiários e colaboradores de diferentes instituições do Direito para dialogar sobre o Projeto de Lei nº 4/2025. O segundo dia do seminário “Debate comparado sobre a reforma do Código Civil Brasileiro” foi realizado no auditório da Procuradoria-Geral do Município do Rio de Janeiro (PGM) e focou no Direito civil digital na administração pública. 

Direito Digital 

O painel “Livro de Direito Civil Digital” foi moderado pelo diretor acadêmico da Associação Norte-Nordeste de Direito Econômico e doutor em Direito Econômico pela USP, Gabriel Campos Soares da Fonseca. Os palestrantes da mesa foram o procurador do Município do Rio de Janeiro Rodrigo Corrêa, o professor de Direito na Universidade de Viena e doutor em Direito pela Universidade de Hamburgo Florian Möslein, que participou remotamente; e a professora do Instituto Brasiliense de Direito Público e da Universidade de Brasília e doutora em Direito Privado pela Universidade Humboldt Laura Schertel Ferreira Mendes.  

Durante a palestra, a docente Laura Mendes ponderou os pontos positivos e negativos da reforma no direito digital. “A proposta de reforma apresentada conta com mais de mil artigos modificados. Mais de 300 artigos foram inseridos e mais de 80, divididos em dez capítulos, dissertam sobre o Direito digital. A mudança tem vantagens, como a sinalização da centralidade do tema no ordenamento privado, consolidando princípios civis aplicáveis no ambiente digital. Por outro lado, há um risco de sobreposição e conflito com leis especiais já consolidadas, como a Lei Geral de Proteção de Dados, o Marco Civil de 2014 e o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital”.  

Administração Pública e Direito Digital 

“Direito digital na administração pública” foi o tema do décimo primeiro e último painel do seminário. A palestra foi mediada pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e integrante do Fórum Direito Comparado da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj) Eduardo Gusmão Alves de Brito Neto e apresentada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ricardo Villas Bôas Cueva e pelo procurador do Estado do Rio de Janeiro Rodrigo Borges Valadão. 

Para o desembargador Eduardo Gusmão, os princípios garantidos na Constituição Federal exercem influência no chamado “Direito Digital”. “Nós sentimos a presença do mundo digital no Direito administrativo. Mas ainda não está presente a ideia desse direito porque um livro de Direito digital não existe no Brasil. Ao pesquisar e estudar sobre isso, vi que os princípios que diziam ser particulares do universo digital, como o da liberdade de expressão, inviolabilidade da intimidade, a livre iniciativa e a livre concorrência, são constitucionais adaptados ao digital”. 

O ministro Ricardo Cueva apresentou as formas como a administração pública tem se modificado para unir direito e tecnologia. “A atualização do estado se insere em um contexto mais amplo da sociedade contemporânea. Nós, brasileiros, somos muitos apegados a tecnologia e aos smartphones. Percebendo isso e buscando formas de modernizar e centralizar os serviços públicos, o governo brasileiro implementou mecanismos, como a conta no E-gov, que é uma ferramenta de governança de dados e automação da gestão”. 

Participaram da mesa de encerramento o presidente da DLVI, Stefan Grundmann; o desembargador Eduardo Gusmão, o ministro Ricardo Cueva, a professora Karina Nunes Fritz e a professora Arícia Fernandes Correia, que representou o procurador-Geral do Município do Rio de Janeiro Daniel Bucar. 

Cooperadores do Seminário  

O debate comparado é uma iniciativa conjunta da Associação Luso-Alemã de Juristas (DLJV), do Fórum Permanente de Direito Comparado, do Núcleo de Pesquisa em Direito Comparado (Nupedicom), do Fórum Permanente de Biodireito, Bioética e Gerontologia, do Fórum Permanente de Direito Professor Sylvio Capanema de Souza e da Escola de Políticas de Estado – Centro de Estudos da Procuradoria-Geral do Município do Rio. 

KB/IA

Foto: Felipe Cavalcanti/TJRJ