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Júri absolve PMs acusados pela morte de adolescente na Cidade de Deus
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 12/02/2026 05h46

                                                                                         Julgamento chega ao fim após dois dias
 

Após dois dias de julgamento no II Tribunal do Júri do Rio, os policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal foram absolvidos da acusação de homicídio qualificado contra o adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, e da tentativa de homicídio de Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, ocorrida em 7 de agosto de 2023, na Cidade de Deus, Zona Sudoeste da cidade. A decisão foi anunciada na última quarta-feira, 11 de fevereiro, após uma sessão marcada por intensos debates entre acusação e defesa.

Por maioria de votos, o veredito dos sete jurados reconheceu a materialidade dos crimes (que os disparos ocorreram e causaram a morte de Thiago). No entanto, ao serem questionados se absolviam os acusados — o chamado quesito genérico de absolvição —, a vontade popular foi pelo "sim", resultando na improcedência da pretensão punitiva do Estado. Com a decisão de hoje, os dois PMs tiveram seus alvarás de soltura determinados pelo juízo.

Durante a leitura da sentença, o juiz Renan Ongaratto, que presidiu a sessão, pontuou que o caso ocorre em um contexto sensível de direitos humanos. Ele citou condenações anteriores do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos por episódios de letalidade policial, como o caso da Favela Nova Brasília, que impulsionaram medidas como a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como ADPF das Favelas. O magistrado ressaltou que, embora o Judiciário não seja indiferente à "dor que transcende a família das vítimas", a decisão soberana do Tribunal do Júri deve ser respeitada como a voz da sociedade.

                                                                                  Juiz Renan Ongaratto presidiu a sessão de júri
 

Relembre o caso 

O crime ocorreu em 7 de agosto de 2023, na entrada da Cidade de Deus. Segundo a denúncia, os PMs, em um carro particular e armados com fuzis, realizaram uma operação ilegal conhecida como "Tróia" (tocaia). Thiago foi atingido por disparos pelas costas, enquanto Marcos Vinicius foi ferido na mão. A defesa dos policiais, por outro lado, alegou que houve confronto e que os agentes revidaram a uma agressão armada, versão que foi contestada por testemunhas e pela perícia no processo.

Na fase de instrução processual, os policiais Silvio Gomes dos Santos e Roni Cordeiro de Lima, que também haviam sido denunciados, foram impronunciados por falta de indícios suficientes de autoria. Porém, a família de Thiago, por meio do assistente de acusação, recorreu contra a sentença de impronúncia dos dois policiais e o caso será julgado pela Sexta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

Processo nº: 0050287-22.2024.8.19.0001

AB/MB

Fotos: Brunno Dantas e Rafael Oliveira / TJRJ