Com metáforas inspiradas em grandes autores, Centro Cultural recebe primeiro sarau literário do ano
Da esquerda para direita: servidora do TJRJ, Rita Cecília; chefe de serviço educativo do CCPJ, Wanderlei Barreiro Lemos; colaboradora do TJRJ, Laís Caroline; e desembargadora Cristina Tereza Gaulia
Abrindo a temporada do programa “Do Direito à Literatura" em 2026, o Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ) recebeu na quarta-feira, 28 de janeiro, o sarau literário “Visões Interiores”, apresentando poesias inéditas de Laís Caroline, colaboradora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) com atuação no Departamento de Saúde (Desau).
Ao lado do servidor W.B. Lemos, Laís, que é recém-formada em psicologia e deficiente visual, falou aos ouvintes sobre sua relação com a literatura e a possibilidade de colocar sua imaginação no papel por meio das poesias que escreve. “Grande parte das pessoas com deficiência visual só consegue escutar as palavras, sem saber a grafia delas. E a leitura nos permite acessá-las, por isso ela é tão importante. As palavras são libertadoras e podem mudar o mundo”, relatou a poeta.
Marcada por estrofes longas e com influência de grandes expoentes da literatura brasileira como Érico Veríssimo, Mário Quintana e Manoel de Barros, a poesia de Laís retrata situações do cotidiano e faz metáforas com objetos que estão presentes em seu dia a dia, como em “A vida íntima de uma geladeira” e “A xícara que guarda as sobras de conversa”.
A xícara que guarda as sobras de conversa
“Não importa a bebida,
café urgente, chá sentimental, chocolate que abraça.
Sempre sobra alguma coisa no fundo,
um gole tímido, um resquício de calor,
um assunto que não teve coragem de virar palavra.”
Laís Caroline
A atividade também contou com a participação da colaboradora Rita Cecília, colega de trabalho de Laís no Desau, convidada para declamar algumas composições da autora. Além dela, a magistrada responsável pelo CCPJ, desembargadora Cristina Tereza Gaulia, leu versos do poema “Banquete de Amigas” e convidou Laís para retornar ao Centro Cultural e lançar seu livro de poesias, que ainda está sendo produzido. “A poesia é alma em movimento. Hoje nós vimos várias almas da Laís, a cada momento desse universo mágico dela, que é algo que poucos compreendem”, completou a desembargadora.
Da esquerda para direita: professor Luã Nogueira Jung; servidora do TJRJ, Rita Cecília; chefe de serviço educativo do CCPJ, Wanderlei Barreiro Lemos; colaboradora do TJRJ, Laís Caroline; desembargadora Cristina Tereza Gaulia
Entrada 13. Degustação de mundos: para viagem
“Rezo com dentes cerrados quando a vida exige força.
Rezo com a boca aberta quando ela me dá espanto.
Rezo sem palavras quando preciso de pouso.
Deus, se existir, na minha linguagem cheira a pão recém-assado,
E beija a testa com hálito de casa.”
Laís Caroline
PB*/IA
Fotos: Rafael Oliveira
*Estagiário sob supervisão