Autofit Section
Recepcionistas: 178 corações sempre dispostos a ajudar nos corredores da Justiça
Notícia publicada por Secretaria-Geral de Comunicação Social em 03/01/2026 11h

Recepcionistas do TJRJ orientam milhares de pessoas que circulam todos os dias nos corredores do Fórum Central
 

Foram 2.312 quilômetros percorridos de Campina Grande, na Paraíba, até o Rio de Janeiro. Na bagagem, muitos sonhos. Alguns realizados e outros ainda não. O ano era 2003 e, hoje, mais de duas décadas depois, Verônica de Lucena Ferreira continua com o mesmo jeito de menina. E sobre os sonhos deixados para trás, Verônica avisa: vai voltar a estudar para concluir a faculdade de Serviço Social.   

E é com essa alegria e simpatia que ela, semana após semana, trabalha como recepcionista do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) como se fosse o seu primeiro dia.    

Os uniformes azuis  

Verônica faz parte de um time de recepcionistas que podem ser encontradas em cada cantinho do Judiciário fluminense. Atualmente, na capital, são 103 recepcionistas. Nos fóruns regionais e nas comarcas do interior, são 75 profissionais, totalizando 178 recepcionistas em todo o TJRJ.  

 Com seus inconfundíveis uniformes azuis com lenços vermelhos, as recepcionistas da Justiça do Rio estão sempre dispostas a ajudar. Um time que carrega o sentimento de dever cumprido ao final de cada jornada de trabalho.   

“Nós temos que ter muito cuidado com as centenas de milhares de pessoas que transitam pelo Tribunal. Afinal, um vai ganhar, e outro vai perder. Uns chegam completamente perdidos por conta do que trazem na cabeça: a dúvida do jogo perde/ganha. Uma vez, expliquei a um senhor aonde ele deveria ir, mas as pessoas, tão preocupadas de estarem aqui para resolver uma questão judicial, parecem não nos ouvir e nem acompanhar a comunicação visual. O jeito foi eu levá-lo até o local. Recebi muitos agradecimentos”.   

O depoimento é de Andrea Batista Villela Fernandes, supervisora de recepção, que trabalha no TJRJ há 17 anos. Para ela, ser recebido com um sorriso é fundamental para quem entra no Fórum Central, no Centro do Rio, muitas vezes, com preocupações, ansiedade e nervosismo.  

 As recepcionistas são mais que uma simples tradução literal da profissão: são a porta de entrada e o cartão de visitas de muitas organizações, empresas e espaços públicos. Elas garantem que o primeiro contato com o público seja acolhedor e positivo na orientação de milhares de pessoas que circulam em busca de uma informação todos os dias no Poder Judiciário fluminense.   

  

Equipe sempre alinhada    


Outra personagem que é a prova viva de dedicação ao trabalho é Anna Cecília Pinto Medeiros. Essa recepcionista acumula muito tempo de casa e, ao falar de seu trabalho, demonstra que a equipe está alinhada no propósito de orientar quem procura por ajuda. Com a experiência dos 23 anos de serviços prestados ao Tribunal de Justiça, gosta de lidar com o público e já descobriu a fórmula para fazer isso com excelência.     

“Tem gente que chega com a cara amarrada, você deseja bom dia, e a pessoa nem responde. Aí eu digo: ‘Vamos resolver, eu só quero te ajudar.’ Tento entender o que a pessoa procura, ver qual é o caso, qual é o serviço que ela está buscando. Em poucos minutos, a pessoa já está mais calma, parece que abre uma luz. E tudo depende do jeito de falar e de como você atende.”   

Recepcionistas Ana Beatriz e Andreia
  

E esse sentimento também é compartilhado por quem chegou há menos tempo. Andreia Melo Magalhães Balbino passava por um período difícil em busca de uma oportunidade de emprego, e a chance de trabalhar no TJRJ surgiu como um alívio para enfrentar as dificuldades, mas também como um presente. Ela deveria ter iniciado as atividades em abril de 2020, o que teve que ser adiado em razão da pandemia de Covid-19. Paciente e persistente, se recorda muito bem do primeiro dia em sua nova função - 27 de julho daquele ano, uma segunda-feira - um dia depois de comemorar seu aniversário.     

Em um dos corredores do 10° andar da Lâmina I, bem perto de onde fica Andreia, está Ana Beatriz Félix Silva, que é chamada carinhosamente de Bia pelos colegas do entorno. As duas carregam lemas parecidos para que o trabalho diário atenda às expectativas: respeito, compreensão, gentileza e paciência. Bia, no entanto, tem uma carta na manga. Além de conciliar o trabalho com a faculdade de Programação, encontrou na leitura um hobby, dando ênfase para livros de Psicologia. De acordo com ela, o conteúdo tem impacto na função que exerce. “Atualmente, estou lendo Mentes Depressivas, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa. E essas leituras me ajudam, pois consigo captar as emoções das pessoas apenas pelo olhar, nas expressões faciais”, afirma.     

 Ambiente acolhedor 

Recepcionista Adriana Alves trabalha no Museu da Justiça de Niterói
 

Na “Cidade Sorriso”, Adriana Alves da Silva é uma das responsáveis pela recepção do Museu da Justiça de Niterói. Ela, que vem de São Gonçalo todos os dias, começou sua caminhada no TJRJ em 2010, trabalhando como copeira no Fórum Central. Agora, o trajeto é mais curto, e ela está mais próxima dos netos. Além de estar mais perto da família, também consegue tirar um tempinho para conferir as atividades que acontecem no Museu.   

“Aqui, no Museu, tem um ambiente bom para trabalhar. Eu gosto de participar da troca de livros, que acontece toda terça-feira, e teve uma exposição feita com materiais recicláveis que me deixou encantada!”, lembrou. 

Os caminhos até chegar ao Tribunal foram diferentes e cada uma dessas mulheres traz sua própria bagagem e o sentimento comum de orgulho pela profissão, assim como o gosto de trabalhar no Poder Judiciário fluminense.    

Apesar disso, quando cruzam a porta de entrada, se unem pelo mesmo objetivo: receber bem, não importa a quem.  Assim como na letra da música de Fernando Brand e Milton Nascimento “Bola de meia, Bola de Gude”, elas acreditam que coisas bonitas nunca deixarão de existir, como amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor.  

  PF/PB* 

*Estagiário sob supervisão  

 Fotos: Felipe Cavalcanti e Rafael Oliveira/TJRJ