Luta de mulheres negras é tema de palestra na Emerj
À mesa, da esquerda para a direita, a coordenadora do Núcleo de Apoio e Promoção à Justiça Social (Napjus), Inara Firmino; a servidora Michelle Villaça; o presidente do Cogens 1º Grau, desembargador Wagner Cinelli; a auditora fiscal do trabalho Dercylete Lisboa e a membra eleita do último edital para servidores do Cogen 1º Grau, Luana Peres
Os Comitês de Promoção da Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral, Sexual e da Discriminação (Cogens 1º e 2º graus) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) promoveram, nesta quinta-feira, dia 24 de julho, a palestra “Memória e Resistência: A luta das mulheres negras”. O encontro foi realizado no Auditório Desembargador Joaquim Antonio de Vizeu Penalva Santos, na Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), e transmitido virtualmente pela plataforma Teams para dezenas de outras pessoas.
Ao lado das palestrantes Michelle Villaça Lino e Dercylete Lisboa Loureiro, o presidente do Cogen 1º Grau, desembargador Wagner Cinelli, compartilhou a importância de o Judiciário articular palestras que provoquem uma reflexão sobre o tema. “O mês de julho tem muitas datas significativas para a luta negra, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e o Dia da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, em 25 de julho. Como o foco dos Cogens é trabalhar com a conscientização e com a prevenção do assédio, essa palestra visa a construção de uma sociedade menos desigual e mais justa para todas as pessoas”, afirmou.
Traçando um paralelo entre a história da população negra e da população branca no Brasil, com um recorte de gênero, as palestrantes explicaram a importância de valorizar as trajetórias de figuras negras e de diferenciar o feminismo branco e o negro a fim de entender melhor as demandas de cada grupo.
“Quando falamos sobre diferenças entre feminismo negro e feminismo branco, não buscamos uma segregação. Mas falamos de lutas diferentes porque as demandas são diferentes. Enquanto as mulheres brancas lutaram para acessar o mercado de trabalho, as mulheres negras não tinham outra opção de se manter que não fosse através do trabalho. É preciso considerar as distinções para não minimizar ou subjugar as dores e feridas desencadeadas pelo racismo, sexismo e classismo sofridos por mulheres não brancas”, comentou a servidora e psicóloga do TJRJ Michelle Villaça Lino.
A auditora fiscal do trabalho Dercylete Lisboa Loureiro, complementou a palestra, apresentando dados do Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2025 que revelam como a raça e o gênero interferem no acesso a cargos de poder e a salários melhores.
“A maioria da população brasileira é formada por mulheres. Nos marcadores raciais, o negro também é a maioria. Mas quando falamos de representatividade, essa população não tem espaço. E quando tem, é um papel secundário na sociedade. Nos ambientes de trabalho, isso se repete pois as questões estruturais de fora são refletidas nas relações de dentro”, ponderou a palestrante.
KB/FS
Fotos/Brunno Dantas