Centro da Memória Judiciária de Niterói homenageia o Desembargador Jalmir Gonçalves da Fonte, patrono do antigo Fórum de Niterói

O desembargador Jalmir Gonçalves da Fonte - patrono do antigo Fórum de Niterói - completaria 100 anos no último dia 21 de outubro.  Da esquerda para a direita, os quatro filhos do desembargador Jalmir: o advogado José Antonio Gonçalves da Fonte; o engenheiro José Carlos Gonçalves da Fonte; o desembargador federal do TRT da 1ª Região, Jorge Fernando Gonçalves da Fonte, e a antropóloga Elina Gonçalves da Fonte Pessanha.  
 

O Centro da Memória Judiciária de Niterói promoveu na tarde dessa segunda-feira, dia 21, uma visita especial ao antigo Palácio da Justiça fluminense, com familiares - filhos, netos e bisnetos do patrono do antigo Fórum de Niterói, o desembargador Jalmir Gonçalves da Fonte, que completaria 100 anos de idade, na presente data. A ideia da homenagem partiu dos próprios filhos do magistrado, entre eles, o desembargador federal do TRT da 1ª Região, Jorge Fernando Gonçalves da Fonte que, comovido, agradeceu à instituição pela realização de um sonho familiar. Estiveram também presentes ao evento o desembargador Elmo Guedes Arueira ¿ membro da Comissão de Preservação da Memória Judiciária ¿ e o diretor do Museu da Justiça, Carlos Jorge Fernandes Troina, além de servidores da casa.

A visitação especial foi iniciada nas escadarias do antigo prédio pelo educador do Centro da Memória, Marcos Villas Bôas, que falou sobre a história do conjunto arquitetônico localizado ao redor da Praça da República. Os visitantes seguiram depois pelo hall de entrada do palácio, pelo plenário do Tribunal do Júri, e pelos belos Salões do Tribunal Pleno e de Exposições, onde encontra-se agora uma vitrine com fotos e alguns pertences do desembargador Jalmir Gonçalves da Fonte. Após o passeio guiado, uma pequena cerimônia ocorreu no Salão das Exposições. Na ocasião, o desembargador Elmo Arueira falou do grande amigo e profissional com quem teve o prazer de conviver e trabalhar. "É uma grande honra estar aqui hoje relembrando, com seus familiares, o brilhantismo de Jalmir e a sua dedicação à magistratura", enfatizou.  

Para o desembargador Jorge Fernando, um dos quatro filhos, a homenagem ao seu pai "brotou" de uma ideia antiga de fazer um registro de sua memória, no prédio que ostenta o seu nome. "Foi com o meu pai que aprendi a admirar o Direito. Ele foi uma grande escola para mim. E tinha, acima de tudo, uma preocupação grande em passar o conhecimento. Eu me lembro bem da "pequena escola" que havia, gratuitamente, em nossa casa, para alunos que estavam fazendo concurso para a magistratura. Muitos se tornaram juízes e desembargadores, como o Oscar Silvares. Meu pai era um homem de atividade intensa, e continua como fonte de inspiração para os membros da família", afirmou.

Emocionada, também, a única filha da família, hoje antropóloga e professora da UFRJ, Elina Gonçalves da Fonte Pessanha, disse ter do pai "uma lembrança muito forte", pois ele permitiu que ela estudasse e trabalhasse em uma época, entre os anos 50 e 60, na qual isso não era muito comum para as mulheres de classe média. "O meu pai valorizou sempre isso, me envolvendo nas atividades dele, dando acesso à leitura, na nossa vasta biblioteca. Ele foi o meu mentor intelectual, a pessoa que apostou que seria importante que eu me profissionalizasse, estudasse. Meu grande inspirador em termos profissionais e intelectuais, um grande amigo", falou Elina.

O advogado José Antonio Gonçalves da Fonte também lembrou com saudades e bom humor do pai, que, segundo ele, era ótimo em matemática e gostaria de ter sido engenheiro. "Papai chegou até a construir dois barcos à vela. Gostaria de ter trabalhado nessa área de cálculos, mas o meu avô insistiu que ele estudasse Direito. Mas todos sabemos que ele se saiu muito bem na carreira da magistratura e a todos inspira, até hoje, com sua grande sabedoria. Realizou o seu sonho com o meu outro irmão, o José Carlos Gonçalves da Fonte, que seguiu a carreira na Engenharia", comentou.         

Jalmir Gonçalves da Fonte

O desembargador Jalmir Gonçalves da Fonte nasceu em Niterói, em 21 de outubro de 1913. Filho de João Gonçalves da Fonte e Juvina Castro da Fonte,foi advogado civilista na década de 50. Exerceu as funções de promotor de Justiça de Piraí, ingressando, em 8 de agosto de 1956, na carreira da magistratura. Desde então, atuou nas comarcas de Bom Jardim, Itaboraí, Três Rios e, posteriormente, em Niterói ¿ onde trabalhou na 3ª Vara Criminal, na 3ª Vara Cível, na Vara de Menores e nos feitos da Vara de Fazenda Pública. Em 3 de julho de 1968, o magistrado foi promovido ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, vindo a ser eleito corregedor-geral da Justiça, em 3 de fevereiro de 1973. Dois anos mais tarde, Jamil Gonçalves da Fonte tomou posse como presidente daquela corte, até vir a fusão. Em 1983, aposentou-se, aos 70 anos, vindo a falecer na antiga capital fluminense, em 8 de abril de 1992. Em 1995, por Resolução do Órgão Especial do TJRJ, o Fórum da comarca de Niterói passou a ter o seu nome.

O Centro da Memória Judiciária de Niterói fica na Praça da República, s/nº -Centro, no antigo Palácio da Justiça, e funciona de segunda a sexta, das 11h às 18h. A instituição é administrada pelo Museu da Justiça/DEGEM, unidade vinculada à Diretoria-Geral de Comunicação Institucional (DGCOM) do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Mais informações, pelos telefones 3002-4284/4285 ou pelo e-mail museudajustica.niteroi@tjrj.jus.br.