Museu da Justiça adquire moderno laboratório para conservação do seu acervo

Estão sendo recuperados, no novo laboratório do Museu da Justiça, cerca de 23 volumes de processos. A equipe da Restaurart, composta por Adriana Maria de Souza (à esquerda) e Lucimar da Silva Rocha, já restaurou os inventários de Duque de Caxias e de Santos Dumont.

O Museu da Justiça deu início, no final de 2012, às atividades de seu moderno laboratório de conservação e restauro, adquirido integralmente com recursos da Secretaria Estadual de Cultura (SEC), a partir de projeto elaborado pelo Serviço de Gestão de Acervos Museolólgicos (SEGAM) do Museu e aprovado por aquela Secretaria. O laboratório conta com equipamentos de última geração para restauração e conservação de documentos em suporte papel, que possibilitam aplicar ao importante acervo histórico do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o tratamento adequado para sua guarda e manutenção.

De acordo com Jorge Rocha, diretor da Divisão de Gestão de Acervos (DIGAC), serão recuperados no laboratório cerca de 23 volumes de processos, dentre os quais os inventários de personalidades como Dom Pedro II, Princesa Isabel, jurista Rui Barbosa, Duque de Caxias e Santos Dumont. "Em breve, também, passarão por tratamento processos de crimes de grande repercussão, como o do homicídio de Euclides da Cunha e do atentado contra o jornalista Carlos Lacerda", completou.

Jorge Rocha explicou ainda que o trabalho de recuperação dos documentos está sendo realizado por profissionais ligados à Associação Restaurart, entidade composta por profissionais da área de restauração de objetos e documentos, abrigada no Espaço Cultural CEDIM HeloneidaStudart /RJ, que trabalha com capacitação e qualificação de mulheres, priorizando aquelas vítimas de violência doméstica.

O presidente da Restaurart, Elias Souza Pires, considera a parceria com o Museu da Justiça do Rio uma grande oportunidade. "Estamos aqui no museu há cerca de dois meses, fazendo conservação preventiva e curativa dos processos, no sentido de recuperar a memória do Judiciário. O museu possui um ótimo espaço para esse tipo de trabalho e está montando um laboratório de excelência na área de restauração do Rio de Janeiro", comentou.

Até o momento, 12 processos já foram higienizados pela equipe da Restaurart e estão, agora, passando por procedimento complementar. Dentre esses, dois já estão prontos: os inventários do Duque de Caxias e de Santos Dumont. No primeiro, Duque de Caxias deixou bens (dentre eles, seu cavalo e armas diversas) para a família, amigos e criado. Já no de Santos Dumont, foi localizada a casa na Rua do Riachuelo, que acabou ficando para o governo, já que "o pai da aviação" não tinha herdeiros.

Segundo o museólogo do SEGAM, Antonio Manuel Frio, o laboratório é a semente de um ambicioso sonho de tornar o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro uma das principais instituições museológicas do Brasil relacionadas à conservação e restauração de acervos judiciários.

Para o diretor do Museu, Antonio Carlos Romeo, a aquisição do laboratório, a recente modernização da ilha de edição audiovisual além de outras iniciativas já tomadas no sentido de fortalecer e profissionalizar a Unidade, vêm contribuindo para que o Museu da Justiça possa vir a se tornar referência para os demais centros de memória judiciária da federação. "Queremos, que a instituição continue sendo uma ferramenta cada vez mais efetiva de aproximação entre o Judiciário e a sociedade", concluiu.

O Museu da Justiça faz parte da Diretoria Geral de Gestão do Conhecimento (DGCON) do Tribunal de Justiça do Rioe fica na Rua Dom Manuel, 29 ¿ Centro ¿ RJ, dentro do Antigo Palácio da Justiça.