Assessoria Imprensa (Dest. Foto/Texto)

Retornar para página inteira

Roda de Conversa abre eventos da 'Semana da Adoção em Pauta'

Notícia publicada pela Assessoria de Imprensa em 2017-05-22 20:55:00.0

Trezentas e dezessete sentenças.  Mais de 250 audiências. Trinta por cento da meta estadual alcançada em 30 dias. A mobilização do programa “Adoção em Pauta”, que concentrou esforços de magistrados e servidores a possibilitarem uma família a crianças e adolescentes em maio do ano passado, mês da adoção, ultrapassou todas as expectativas, chegando agora a sua segunda edição. Abrindo um espaço de diálogo, nesta segunda-feira, dia 22, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) promoveu um bate-papo entre profissionais do Judiciário e o público para discutir sobre as questões que surgem quando o tema é adoção no Brasil.

Com a presença do juiz Sérgio Luiz Ribeiro de Souza, presidente da Coordenadoria Judiciária de Articulação das Varas da Infância e Juventude e Idoso (Cevij); da desembargadora Ana Maria Pereira de Oliveira, coordenadora da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai); e da juíza Lorena Paola Nunes Boccia, da 2ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Barra Mansa, o primeiro dia de conversas da “Semana da Adoção em Pauta 2017” debateu sobre o “2º ano do Programa Adoção em Pauta: Trabalhando Pela Garantia do Direito à Convivência Familiar”.

Atuar de forma coesa para tirar os processos adoção do papel, foi um dos aspectos que ganhou a atenção dos convidados. “A ideia é trabalharmos em conjunto, ouvindo os grupos de apoio de adoção, trabalhar a capacitação das equipes das instituições de acolhimento, sua integração com as equipes do juízo, para que possamos ter uma prestação jurisdicional exata, para cada caso, seja no sentido da reintegração familiar, seja no sentido da adoção”, defendeu o presidente da Cevij.

Já a desembargadora Ana Maria Pereira esclareceu sobre os estigmas que ainda envolvem a adoção internacional. “É um tema ainda cercado de muito preconceito, é difícil de ser tratado. Falamos de adoção internacional e parece que queremos ‘enviar as criancinhas e os adolescentes para o exterior’ e não é isso. Queremos propiciar uma família para aquelas crianças que não conseguiram uma”, observou. Discussão que foi complementada pela professora Leila Cavalieri, que contou sobre a experiência de seu pai, o desembargador Alyrio Cavallieri, responsável pela primeira adoção internacional no Brasil.

Em contrapartida, a adoção no interior também tem seus desafios. Foi o que mostrou a juíza Lorena Paola Nunes Boccia, que compartilhou a realidade da Comarca de Barra Mansa e suas decisões para adequar os procedimentos ao contexto sul-fluminense. Ela também relatou o cuidado que teve na adoção feita por um casal de Manaus. “Serve de uma lição para não esquecermos sobre os direitos das crianças, porque a destituição do poder familiar e adoção são feitas para seus interesses. O ideal é real porque estamos mexendo com os interesses delas.”

Além dos magistrados, a roda de conversa contou com a participação de Thiago de Paiva Nunes, que narrou sua experiência como pai adotivo da bebê Alice. “Quem pretende adotar deve saber que é uma jornada, uma jornada para poucos”, constatou.

RC/JM

Foto: Brunno Dantas/TJRJ