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Em debate no TJRJ, psicólogas destacam angústias enfrentadas por bebês

Notícia publicada pela Assessoria de Imprensa em 2016-07-26 10:41:00.0

No debate de abertura da Semana de Valorização da Primeira Infância, realizado nesta segunda-feira, dia 25, as psicólogas Ivanise Fontes e Rita Moraes destacaram as três angústias corporais enfrentadas pelos bebês, já nos primeiros meses de vida. Antes do debate, foi exibido o curta-metragem “Virando Gente”, da diretora Ana Lúcia Godói, no qual um menino chamado Bruno narra como começou a perceber a si mesmo e o mundo ao seu redor, desde quando ainda estava na barriga da sua mãe. 

“O curta aborda o nascimento psíquico da criança e seu desenvolvimento nos primeiros meses, quando enfrentam três angústias: dissolver no banho, explodir por causa dos gases após a amamentação e cair no espaço, na troca de colo entre os pais e familiares”, explicou Ivanise.

“As pessoas se assustam quando falamos das angústias. Mas, realmente, os bebês têm angústias. A inauguração do ser humano se dá através das impressões sensoriais. As aflições são inerentes à natureza humana”, complementou Rita. 

Ivanise destacou as fases de desenvolvimento da criança, quando, a partir do quinto mês de gestação começam a perceber o mundo exterior.

“A partir do quinto mês, através dos sons aleatórios do organismo da mãe, o feto começa a achar que tem alguma coisa lá fora. Depois que ela nasce, começa a enfrentar as angústias, passando para outra fase que é a de continência pelo próprio corpo. Nesta fase ela tem a sensação corporal de barriga cheia após a amamentação, de carinho, pelo toque na pele e até mesmo de satisfação, ao bater palmas, por ter juntado as duas metades do corpo”, relatou.

Já percepção do outro pela criança, ainda segundo Ivanise Fontes, ocorre por volta do quinto mês após o nascimento.

“O primeiro sintoma de senso de existência percebido pela criança acontece por volta do quinto mês pós-natal. A partir daí, a criança passa a ter continência pelo corpo da mãe, através da troca de olhares, que vem antes da fase, quando a criança começa a perceber a simbolização das palavras. Mesmo sem conseguir ligar a palavra à figura, ela entende a existência de algo ligado ao que foi dito. Quanta coisa acontece antes do falar”, frisou a psicóloga.

A formação dos cuidadores de crianças foi outra questão abordada no debate. Para Rita, é importante que os profissionais tenham condições de perceber todas as fases de desenvolvimento da criança, e é fundamental o afeto dedicado à criança.

“O bebê é uma pessoa. Existe um sujeito e as pessoas que vão cuidar dele têm que ter a sensibilidade de perceber suas reações. Não basta gostar de criança para trabalhar em uma creche. A criança pode estar alimentada e de banho tomado. Mas se não houver o investimento afetivo do profissional, essa criança pode apresentar resultados desfavoráveis mais à frente, como, até mesmo, entrar em processo de depressão”, avaliou Rita.

O encontro foi aberto pela coordenadora da Coordenadoria Judiciária de Articulação das Varas da Infância e Juventude e Idoso (Cevij), juíza Raquel Chrispino, cabendo à psicóloga da Cevij, Eliana Olinda, a mediação do debate.

Promovida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), a Semana de Valorização da Primeira Infância no Judiciário fluminense acontece até sexta-feira, dia 29, com o objetivo de chamar a atenção para os direitos e para as necessidades das crianças, principalmente nos primeiros anos de vida.

Semana terá apresentação de trabalhos e debate sobre institucionalização de jovens

Nesta terça-feira, dia 26, às 17h, acontece debate no Salão do antigo Tribunal Pleno, no antigo Palácio da Justiça. Participam representantes da Oficina das Maternidades, do Ministério Público, da Defensoria Pública e da CEVIJ.

Na quarta-feira, dia 27, às 17h, também no antigo Tribunal Pleno, a Unicef vai apresentar o trabalho desenvolvido em todo o país com mães encarceradas, denominado Projeto Semana Mãe-bebê.  

Na quinta-feira, dia 28, às 18h, no mesmo local, Rita Moraes vai fazer a apresentação da Abordagem ‘Pikler-Lóczy’, que tem como um dos aspectos fundamentais a valorização do vínculo entre bebê e educadora (ou mãe). Em seguida, as psicólogas Aline Diniz e Tatiana Moreira vão palestrar sobre “Os efeitos do abandono e do processo de institucionalização de crianças na primeira infância”.

Encerrando a Semana de Valorização da Primeira Infância, no dia 29, às 15h, igualmente no antigo Tribunal Pleno, será exibido o filme “O começo da vida”, com a presença da advogada Ekaterine Karageorgiadis, do Instituto Alana, uma das organizações produtoras do longa-metragem. 

O antigo Palácio da Justiça fica na Rua Dom Manuel 29, Centro do Rio. A entrada é franca. 

JM/GL

Foto: Brunno Dantas/TJRJ